Democracia Aumentada Democraticamente
Era uma vez uma Sinagoga. Todo sábado 4 rabinos se encontravam lá para praticar libelo de sangue, digo, decidir assuntos da comunidade (não que exista alguma diferença significativa entre as alternativas).
Ocasionalmente eles discordavam de algum assunto. Minto. Na maior parte das vezes nem era discórdia. Bem, talvez era. O caso é que David, Jacob e Benjamin eram muito amigos para demonstrar qualquer coisa que passasse por tal. A discórdia ou algo que passa por discórdia era sempre com o Isaque.
Sempre ficava de fora o energúmeno. Nem sabia direito porque ainda estava lá. Mas ele tinha algo de brasileiro que não desiste nunca. Até aquele dia. Ou talvez até depois. Não importa.
Totalmente inaceitável. Não dava pra aguentar. A posição dos 3 outros era, em sua essência, insustentável. Inconcebível. Inacreditável. Note a overdose de redundância para ênfase. Parecia brincadeira de mau-gosto. Mas não era. Nunca é, querido leitor. Aprenda cedo, é assim mesmo.
E Isaque fez o que qualquer indivíduo coerente faria. Ele demonstrou claramente o erro dos 3 outros rabinos. Cada um que conta esta história descreve isso de uma maneira diferente, o que acho deveras interessante. Porquê essa é a parte menos importante da fábula no fim das contas.
Spoiler: O que conta é o certo, quem estava certo e; principalmente; a quem isso não conta. Como estava certo é a cereja do bolo.
Não foi difícil. Vou omitir alguns detalhes, mas a demonstração acabava com Isaque abrindo as calças. Então ele exibe uma invejável ereção. Nisso uma borboleta pousa em cima de seu falo, que é misteriosamente iluminado (misteriosamente porque ele se situava numa sala moderadamente escura) por um raio de luz que não parecia ser natural ou deste mundo (não que haja diferença).
Esta é minha versão, crie a sua quando lhe for conveniente (minha humilde sugestão – coloque mais falos). Voltando ao assunto, estava muito claro que o Bom Desu estava ao lado de Isaque. Muito claro que os outros 3 rabinos estavam no caminho errado.
Muito claro que eles iriam ter que abandonar o caminho errado e inconcebível. Não que isso tenha acontecido. Porque no fim das contas o caminho inconcebível dos 3 era efetivamente o mais certo, falo “democraticamente”.
Pois Jacob, Benjamin e Zacarias estavam certos. Tão certos como 3 é maior que 2, ou que 2 + 2 fazem 5. Tão certos que continuam certos mesmo quando confundo o nome de um. Essencialmente 50% mais certos do que a concorrência. Isto é certo o suficiente para você?
Pois Isaque e “o conceito mais puro, absoluto e incontestável de suprema certidão” são apenas 2. Só vence(m) homeopaticamente e você já deveria saber que homeopatia é diluída demais para funcionar.
É assim que a fábula acaba. O que aprendemos hoje, querido leitor? Essencialmente, que talvez a sua divindade seja melhor que a da fábula porque ela vota 3 vezes ou até mais. Superior.