Solid Rock

Written by Xim. Posted at 1276634580

Este é um conto bobinho. Mas, esteja avisado, ele não é um conto de amor.

Um rei tolo um dia queria construir uma torre que alcançasse o céu. Aquele desejo bobo do homem querer controlar o ambiente, tão bobo que no fim das coisas é que inicia todo progresso? Bobo assim.

Tolo ele era, queria urinar no bom Sol. Uma pequena tirada de água de joelho para um homem, uma grande mijada na desumanidade. A coisa é que ele falhou miseravelmente. Assim como outros que o sucederam. Todos os pais mancos de mais de nove mil. Grandes falhas para os homens e pequenos passos para a humanidade.

Mas não é disso que essa narrativa trata. Ela também não trata de Perséfone e porque quando ela escapa de Hades a primavera anda solta pelos campos floridos e férteis. Aquela linda.

Não, ela trata de um conto de fadas mais tolo ainda. Aquele conto de fadas do garoto conhece a garota, do garoto que foi exposto a música britânica triste, do garoto que acreditava que não seria verdadeiramente feliz até conhecer “aquela(s)” (aquele(s)). Não do garoto que usaria outra palavra além de garoto pra exibir o seu vocabulário extenso e supostamente tornar o texto menos enfadonho.

E também daquele conto, que, segundo os contos contam, foi pregado pelo conto dos contos em formato de sermão. O dos dois homens que constróem as casas, um em areia movediça, outro em rocha sólida, e de que o destino da casa não é determinado pela casa em si e sim pela solidez de sua fundação. Porque as vezes o “onde é construído” importa mais do que o “que é construído”.

Enfim, a casa precisava ser construída. Não, era um tipo diferente de casa, e não iria mais ser construída em cima de um pântano pra quebrar, ser reconstruída, quebrar, ser reconstruída, pegar fogo e quebrar e ser reconstruída, e assim perdurar. A mecânica era sólida e baseada no excelente trabalho de reis não tão tolos como aqueles dos contos que tinham motivos um pouco menos ambiciosos do que urinar no bom Sol. As maravilhas do concreto e aço  e vidro permitiriam a construção de sólidas moradias que durariam centenas de anos.

A adição de quantidades insignificantes de material de baixa qualidade não iria afetar a solidez da estrutura. A primavera não se tornaria tão marcante se Perséfone demorasse algumas centenas de anos a mais para escapar. Era lindo. Era romântico. Era o que ele desejava desde quando foi exposto.

Ele só não sabia que teria que ser assim. Mas era óbvio, assim o concreto sólido tem que ter um pouco de base de areia lisa.

Enorme. Ok nem era tão grande assim, nem se destacava de seus vários semelhantes no distrito. Era até menor que o normal. Porém, de uma certa maneira a moradia era grandiosa como nenhuma delas era. Um monstro, um frankenstein.

Um punhado de aço e concreto e vidro. E 500 dias, digo, sessenta quilogramas.

As vezes os contos não são o que parecem. As vezes os sonhos não são exatamente o que parecem.

Bitch.

2 comments.

  1. VAI DORME

  2. Spoiler : você perde no final. BLOCK

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