“Penso, logo sou.”
Era o que o espelho parecia dizer para ele. Não parecia certo.
“Penso que penso, logo penso que sou. Prole de Descartes.”
O outro espelho parecia mais convincente. Mas ainda parecia faltar alguma coisa. Ou muita coisa. Ou tudo.
“Penso que penso. Penso que quem pensa logo é. Logo penso que sou.”
“Ou, botando de uma maneira melhor, você pensa que pensa que pensa, pensa que pensa que quem pensa logo é, logo pensa que pensa que é. Está convencido agora?”
“Estou.”
“Não, não está. O processo, como você pode ver, pode ser extendido indefinidamente.”
“Para nunca chegar lá.”
“Melhor do que voltar pro ponto de partida, onde você pensa que está. Certamente o mais apropriado e o melhor dos mundos.”
“É o que eu penso.”
“Não, é o que você é, logo pensa dessa exata maneira.”
“É o que você pensa que eu sou.”
“Mais apropriadamente, o que você pensa que eu penso que você é. Penso que te convenci.”
“Espelho, espelho meu, algum de vocês é mais reflexivo do que eu?”
Alguns deles sorriram amareladamete um para o outro. Penso que um deles não estava convencido. Penso que é você. Ou alguma coisa. Ou quase tudo. Ou tudo.
Ou tudo e ainda mais alguma coisa.