Posts by Xim:

1283001962
by Xim

O contracheque de Gantõ

Um dia Tokusan disse a seu discípulo, Gantõ, “Tenho 2 monges que estão aqui estudando a muitos anos. Vá examiná-los”. Gantõ pegou seu machado – “Murder Fuck” – e foi à capela onde os dois monges meditaram.

Gantõ ergueu “Murder Fuck”, dizendo: “Se vocês disserem uma palavra, cortarei as suas cabeças. E, se vocês não disserem uma palavra, eu também cortarei as suas cabeças”.

Ambos os monges continuaram a meditar, como se Gantõ não tivesse falado coisa alguma. Ganto recolheu seu machado e declarou: “Vocês são verdadeiros estudantes do caminho Zen”. Então voltou a Zokusan, e relatou o incidente.

“Consigo ver seu lado, Gantõ” – disse Zokusan. “E o lado deles?”, continuou. Gantõ respondeu: “Eles devem ser admitidos como discípulos de Zokusan, mas também não devem ser admitidos como discípulos de Zokusan.”[

Fim. Esse kõan termina exatamente aqui, e também não termina exatamente aqui. Ele também começa em seu título, mas não começa exatamente em seu título.

1282718155
by Xim

Quase tudo

“Penso, logo sou.”

Era o que o espelho parecia dizer para ele. Não parecia certo.

“Penso que penso, logo penso que sou. Prole de Descartes.”

O outro espelho parecia mais convincente. Mas ainda parecia faltar alguma coisa. Ou muita coisa. Ou tudo.

“Penso que penso. Penso que quem pensa logo é. Logo penso que sou.”

“Ou, botando de uma maneira melhor, você pensa que pensa que pensa, pensa que pensa que quem pensa logo é, logo pensa que pensa que é. Está convencido agora?”

“Estou.”

“Não, não está. O processo, como você pode ver, pode ser extendido indefinidamente.”

“Para nunca chegar lá.”

“Melhor do que voltar pro ponto de partida, onde você pensa que está. Certamente o mais apropriado e o melhor dos mundos.”

“É o que eu penso.”

“Não, é o que você é, logo pensa dessa exata maneira.”

“É o que você pensa que eu sou.”

“Mais apropriadamente, o que você pensa que eu penso que você é. Penso que te convenci.”

“Espelho, espelho meu, algum de vocês é mais reflexivo do que eu?”

Alguns deles sorriram amareladamete um para o outro. Penso que um deles não estava convencido. Penso que é você. Ou alguma coisa. Ou quase tudo. Ou tudo.

Ou tudo e ainda mais alguma coisa.

1276634580
by Xim

Solid Rock

Este é um conto bobinho. Mas, esteja avisado, ele não é um conto de amor.

Um rei tolo um dia queria construir uma torre que alcançasse o céu. Aquele desejo bobo do homem querer controlar o ambiente, tão bobo que no fim das coisas é que inicia todo progresso? Bobo assim.

Tolo ele era, queria urinar no bom Sol. Uma pequena tirada de água de joelho para um homem, uma grande mijada na desumanidade. A coisa é que ele falhou miseravelmente. Assim como outros que o sucederam. Todos os pais mancos de mais de nove mil. Grandes falhas para os homens e pequenos passos para a humanidade.

Mas não é disso que essa narrativa trata. Ela também não trata de Perséfone e porque quando ela escapa de Hades a primavera anda solta pelos campos floridos e férteis. Aquela linda.

Não, ela trata de um conto de fadas mais tolo ainda. Aquele conto de fadas do garoto conhece a garota, do garoto que foi exposto a música britânica triste, do garoto que acreditava que não seria verdadeiramente feliz até conhecer “aquela(s)” (aquele(s)). Não do garoto que usaria outra palavra além de garoto pra exibir o seu vocabulário extenso e supostamente tornar o texto menos enfadonho.

E também daquele conto, que, segundo os contos contam, foi pregado pelo conto dos contos em formato de sermão. O dos dois homens que constróem as casas, um em areia movediça, outro em rocha sólida, e de que o destino da casa não é determinado pela casa em si e sim pela solidez de sua fundação. Porque as vezes o “onde é construído” importa mais do que o “que é construído”.

Enfim, a casa precisava ser construída. Não, era um tipo diferente de casa, e não iria mais ser construída em cima de um pântano pra quebrar, ser reconstruída, quebrar, ser reconstruída, pegar fogo e quebrar e ser reconstruída, e assim perdurar. A mecânica era sólida e baseada no excelente trabalho de reis não tão tolos como aqueles dos contos que tinham motivos um pouco menos ambiciosos do que urinar no bom Sol. As maravilhas do concreto e aço  e vidro permitiriam a construção de sólidas moradias que durariam centenas de anos.

A adição de quantidades insignificantes de material de baixa qualidade não iria afetar a solidez da estrutura. A primavera não se tornaria tão marcante se Perséfone demorasse algumas centenas de anos a mais para escapar. Era lindo. Era romântico. Era o que ele desejava desde quando foi exposto.

Ele só não sabia que teria que ser assim. Mas era óbvio, assim o concreto sólido tem que ter um pouco de base de areia lisa.

Enorme. Ok nem era tão grande assim, nem se destacava de seus vários semelhantes no distrito. Era até menor que o normal. Porém, de uma certa maneira a moradia era grandiosa como nenhuma delas era. Um monstro, um frankenstein.

Um punhado de aço e concreto e vidro. E 500 dias, digo, sessenta quilogramas.

As vezes os contos não são o que parecem. As vezes os sonhos não são exatamente o que parecem.

Bitch.

1263890455
by Xim

Dicas de leitura

Para artistas globais ou pretendentes.

Prezado(a) Leitor(a),

Este dispositivo* é de uso coletivo. Como, além de você, muitos leitores terão acesso a ele, cuidados ao utilizá-lo são muito importantes:

  • manuseie-o com as mãos limpas.
  • evite comer ou beber enquanto estiver lendo.
  • procure mantê-lo bem conservado, sem rabiscos, dobras e sem recortes.
  • ao concluir a leitura, devolva para a web**.

Contamos com a sua colaboração.

Boa leitura.

*: adaptado do original “livro”.

**: adaptado do original “biblioteca*.

1260224700
by Xim

Para os fakes misericórdia não há

Um pretencioso argumento sobre a óbvia inferioridade dos “clones chineses”; clones estes dos produtos “originais” fabricados na China.

Zaif provando da maçã proibida que nunca foi uma maçã.

“Estou viciado, a Internet é ótima nele, é muito rápida”

Mullah Zaif, sobre seu iPhone.

“… são vendidos como mp4, mas na verdade usam outra compressão de vídeo”

O que é mp4?

Facepalm de brinde(r)

“… muitos consumidores tem sido enganados e tem comprado gato por lebre.”

MP^6,02×10²³

E eles adoram, além de Allah, o que não possui, para eles, sustento algum, nem dos céus nem da terra, e nada podem.

Então, não engendreis semelhantes a Allah. Por certo, Allah sabe, enquanto vós não sabeis.

Allah propõe um exemplo: um escravo subalterno, que nada pode, e um homem a quem damos por sustento um belo sustento de Nossa parte, e, dele, despende, secreta e declaradamente. Igualar-se-ão? Louvor a Allah! Mas a maioria deles não sabe.

E Allah propõe um exemplo: dois homens, um deles mudo, que nada pode, e é fardo para seu amo: aonde quer que este o envie, daí não chegará com bem algum. Igualar-se-á ele a quem ordena a justiça e está em senda reta?

E de Allah é o Invisível dos céus e da terra. E a ordem acerca da hora não será senão como o piscar de olhos, ou mais rápido, ainda. Por certo, Allah, sobre todas as cousas, é Onipotente.

Süratu An-Nahl 73-77

Bons argumentos pretenciosos argumentos.

RESPEITO.

1259958480
by Xim

Democracia Aumentada Democraticamente

Era uma vez uma Sinagoga. Todo sábado 4 rabinos se encontravam lá para praticar libelo de sangue, digo, decidir assuntos da comunidade (não que exista alguma diferença significativa entre as alternativas).

Ocasionalmente eles discordavam de algum assunto. Minto. Na maior parte das vezes nem era discórdia. Bem, talvez era. O caso é que David, Jacob e Benjamin eram muito amigos para demonstrar qualquer coisa que passasse por tal. A discórdia ou algo que passa por discórdia era sempre com o Isaque.

Sempre ficava de fora o energúmeno. Nem sabia direito porque ainda estava lá. Mas ele tinha algo de brasileiro que não desiste nunca. Até aquele dia. Ou talvez até depois. Não importa.

Totalmente inaceitável. Não dava pra aguentar. A posição dos 3 outros era, em sua essência, insustentável. Inconcebível. Inacreditável. Note a overdose de redundância para ênfase. Parecia brincadeira de mau-gosto. Mas não era. Nunca é, querido leitor. Aprenda cedo, é assim mesmo.

E Isaque fez o que qualquer indivíduo coerente faria. Ele demonstrou claramente o erro dos 3 outros rabinos. Cada um que conta esta história descreve isso de uma maneira diferente, o que acho deveras interessante. Porquê essa é a parte menos importante da fábula no fim das contas.

Spoiler: O que conta é o certo, quem estava certo e; principalmente; a quem isso não conta. Como estava certo é a cereja do bolo.

Não foi difícil. Vou omitir alguns detalhes, mas a demonstração acabava com Isaque abrindo as calças. Então ele exibe uma invejável ereção. Nisso uma borboleta pousa em cima de seu falo, que é misteriosamente iluminado (misteriosamente porque ele se situava numa sala moderadamente escura) por um raio de luz que não parecia ser natural ou deste mundo (não que haja diferença).

Esta é minha versão, crie a sua quando lhe for conveniente (minha humilde sugestão – coloque mais falos). Voltando ao assunto, estava muito claro que o Bom Desu estava ao lado de Isaque. Muito claro que os outros 3 rabinos estavam no caminho errado.

Muito claro que eles iriam ter que abandonar o caminho errado e inconcebível. Não que isso tenha acontecido. Porque no fim das contas o caminho inconcebível dos 3 era efetivamente o mais certo, falo “democraticamente”.

Pois Jacob, Benjamin e Zacarias estavam certos. Tão certos como 3 é maior que 2, ou que 2 + 2 fazem 5. Tão certos que continuam certos mesmo quando confundo o nome de um. Essencialmente 50% mais certos do que a concorrência. Isto é certo o suficiente para você?

Pois Isaque e “o conceito mais puro, absoluto e incontestável de suprema certidão” são apenas 2. Só vence(m) homeopaticamente e você já deveria saber que homeopatia é diluída demais para funcionar.

É assim que a fábula acaba. O que aprendemos hoje, querido leitor? Essencialmente, que talvez a sua divindade seja melhor que a da fábula porque ela vota 3 vezes ou até mais. Superior.